Centenário das Aparições

Fátima, Portugal

Passou pouco mais de um mês desde que decorreu o acontecimento que, muito provavelmente, terá sido 'o grande momento' da minha carreira profissional: a vinda do Papa Francisco a Fátima. Pensei bastante se deveria acompanhar as imagens com algum texto e que tipo de texto seria. Eis o resultado.

Nos últimos 10 anos, perdi a conta ao número de vezes que fui a Fátima em trabalho. Longe de mim pensar que, alguma vez, iria ser contactado pelos representantes do Santuário para vir a ser responsável pelas fotografias da vinda do Papa Francisco, juntamente com o Luís Oliveira (fotógrafo oficial do Santuário de Fátima). Mas fui. E nem queria acreditar no que estava a ouvir. Aceitei de imediato o convite mas depois surgiram as dúvidas: Porquê eu? Estarei à altura? E se correr mal? Atirei as dúvidas e receios para trás das costas: afinal, eu só queria fazer o melhor trabalho possível. Foi essa a determinação que me levou a aceitar. Agora, era o momento de mostrar que conseguiria estar à altura da responsabilidade que estava a ser depositada em mim. Não ia ser 'apenas' a visita do Papa Francisco. Estávamos a falar das celebrações do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima e da Canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta.

Estava naturalmente assustado por toda a responsabilidade que implicava o trabalho. Mas foi durante a viagem, acompanhado do séquito papal, no trajeto entre o Santuário de Fátima e a Base Aérea de Monte Real, que 'caí' na realidade. Afinal de contas, estava no mesmo carro e na presença das mais altas figuras da Igreja em Portugal: o Cardeal D. Manuel Clemente; o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto; o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinhas e o Núncio Apostólico em Lisboa, D. Rino Passigato. Naquele momento, comecei a olhar para o horizonte e senti um peso enorme em cima de mim. Reação? Começar a disparar a máquina! Ali, naquele momento, percebi aquela incrível possibilidade de estar perto e registar fotograficamente os momentos que, agora, fazem parte da História. De ajudar a contar, em imagens, a História que se fez nesses dias. Desde aí, acho que entrei em "piloto automático" até ao fim do dia 14 de Maio. O mesmo 'piloto automático' que sempre me fez apontar a máquina e captar o momento.

Durante aqueles dias, cruzei-me com diversos fotojornalistas que admiro. E como sempre, concluída a tarefa, faço o exercício de ver o máximo de trabalhos possível. Dei por mim a pensar que poucos de nós estarão cá para presenciar as próximas celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.

Mas neste, estive presente. Testemunhei. As memórias fotográficas estão - e vão ficar - eternizadas!

Resta-me dizer que estou tremendamente grato - mais do que as palavras alguma vez o conseguirão traduzir - por ter dado, de forma tão especial, o meu contributo para a História. Obrigado pela confiança depositada!